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segunda-feira, setembro 27, 2010

Amor de poeta

É o mais bonito, singelo e pior tipo de amor. Transporta-te das nuvens ao chão antes que perceba a diferença de altitude. Causa vertigens de prazer e de pânico. É cruel, entretanto, infeliz é aquele que nunca o sentiu.

Todas as inseguranças afloram e cada uma delas ferem-te com um pequeno punhal. Os medos tornam-se monstros. E o coração bate tão apertado que você só é capaz de sentir uma coisa de cada vez, o que realmente não ajuda. Então, toda a impotência dessa situação soma-se com a sua incapacidade de explicar o que se passa dentro de você àquele que é a causa de toda essa bagunça, ocasiona as piores atitudes que você poderia tomar. E na maioria das vezes, você mal sabe explicar os motivos que fizeram com que você agisse daquela forma.

Tudo a sua volta vira motivo para mais inseguranças, fazendo com que sinta coisas que você não costumava sentir em relação a outras pessoas – ciúme, indecisão –, te faz pensar sobre o que essa pessoa que ganhou, agora, uma importância dantes não imaginada tem de tão especial que mereça fazer surgir sentimentos que nenhum anterior tenha feito.

Confusa e sem respostas você encontra-se assistindo passivamente um sentimento surgir, ganhar força, crescer tanto que começa a modificar a sua maneira de enxergar o mundo e de agir.

Indignada, – como pode um recém-surgido sentimento modificar tanta coisa? Que absurdo! – você começa uma queda de braço interna, além de tentar contrariar a todo custo o que sente, insiste em deixá-lo oculto, já que revela-lo tão precocemente poderia destruir alguma coisa. Mesmo que você não saiba que coisa possa ser essa, você teme que isso aconteça.

E enquanto esta guerra é travada dentro do seu peito, Ele como alguém que você não merece, desculpa-se por deixar-te tão inconstante, mesmo sem ter ideia do que está acontecendo atribui seu comportamento como culpa Dele.

Obviamente isto te destrói. Ele não tem culpa. Ninguém tem culpa. O seu coração que bate acelerado, entende tudo errado, fica confuso sozinho e perde o controle. Mas como solucionar esta situação?

Então Ele te surpreende mais uma vez, faz com que sua mente se distraia e seu coração flutue. Como? Quando eu descobrir, te conto.

E de repente, o mundo todo é uma imensa Primavera.

domingo, abril 18, 2010

Descrição

Observava a paisagem aquele que além de postura austera, possuía as costas arqueadas de quem carrega o peso de toda uma vida nas costas. Os olhos azuis frios e tristes, através de seus óculos, que a fraca visão pedia, viam os animais de que cuidou a vida inteira.

Suas mãos calejadas e cansadas seguravam seu corpo em pé frente à janela, com os dedos de unhas sujas e maltratadas apertando com força o parapeito.

E a respiração forte, que demonstrava um esforço que antes não era preciso, fazia sua camisa velha e desbotada inflar e voltar num movimento constante. Isso, aliado aos seus cabelos e bigodes grisalhos ilustravam a expressão de quem refletia sobre ações de mais de uma vida.

Gradação de Fabiano

Inicialmente, Fabiano é caracterizado como um homem, um ser humano que toma uma atitude comum, igual a outros homens. Como fazer um cigarro de palha, já que fumar é um comportamento comum na sociedade.

Depois, ele mesmo constata que deixou de ser um ser humano, afirmando que é um bicho. No sentido de não ser mais racional, reconhecendo-se como um animal. Alguém que é irracional e age por instinto.

Em seguida, ele confirma que deixou de ser um ser humano, agindo como tal, aparecendo em um local e escondendo-se no mesmo. Entretanto, ele se encontra estagnado naquele lugar por tanto tempo que passa a se sentir enraizado ali. Neste momento, ele se transfere de categoria deixando de ser animal e passando a ser planta.

Ainda sendo um ser vivo, uma planta fica enraizada, presa, sem a possibilidade de ter liberdade, e é isso que ele afirma sobre si mesmo e sobre sua família.

E num último momento, mostrou-se um traste, ou seja, deixou de ser um ser vivo e tornou-se um objeto, um elemento da paisagem. Mesmo sendo útil, era substituível.

Com essas características pode-se perceber que a personagem Fabiano apresenta uma gradação descendente, decaindo de homem a um objeto sem vida.