segunda-feira, setembro 27, 2010
Amor de poeta
domingo, abril 18, 2010
Descrição
Observava a paisagem aquele que além de postura austera, possuía as costas arqueadas de quem carrega o peso de toda uma vida nas costas. Os olhos azuis frios e tristes, através de seus óculos, que a fraca visão pedia, viam os animais de que cuidou a vida inteira.
Suas mãos calejadas e cansadas seguravam seu corpo em pé frente à janela, com os dedos de unhas sujas e maltratadas apertando com força o parapeito.
E a respiração forte, que demonstrava um esforço que antes não era preciso, fazia sua camisa velha e desbotada inflar e voltar num movimento constante. Isso, aliado aos seus cabelos e bigodes grisalhos ilustravam a expressão de quem refletia sobre ações de mais de uma vida.
Gradação de Fabiano
Inicialmente, Fabiano é caracterizado como um homem, um ser humano que toma uma atitude comum, igual a outros homens. Como fazer um cigarro de palha, já que fumar é um comportamento comum na sociedade.
Depois, ele mesmo constata que deixou de ser um ser humano, afirmando que é um bicho. No sentido de não ser mais racional, reconhecendo-se como um animal. Alguém que é irracional e age por instinto.
Em seguida, ele confirma que deixou de ser um ser humano, agindo como tal, aparecendo em um local e escondendo-se no mesmo. Entretanto, ele se encontra estagnado naquele lugar por tanto tempo que passa a se sentir enraizado ali. Neste momento, ele se transfere de categoria deixando de ser animal e passando a ser planta.
Ainda sendo um ser vivo, uma planta fica enraizada, presa, sem a possibilidade de ter liberdade, e é isso que ele afirma sobre si mesmo e sobre sua família.
E num último momento, mostrou-se um traste, ou seja, deixou de ser um ser vivo e tornou-se um objeto, um elemento da paisagem. Mesmo sendo útil, era substituível.
Com essas características pode-se perceber que a personagem Fabiano apresenta uma gradação descendente, decaindo de homem a um objeto sem vida.